Tratamento médico para obesidade em Itapema: o que existe hoje e como se decide o caminho
Por Dra. Raíssa Campelo · CRM-SC 35554 · 31 de agosto de 2026 · 5 min de leitura
Obesidade é doença crônica, com código próprio na Classificação Internacional de Doenças, o E66. Tratá-la envolve etapas: investigar a causa, corrigir o que é corrigível, construir um plano sustentável e, quando há indicação clínica, usar medicamento. A ordem importa, e pular a primeira etapa é o motivo mais comum de o peso voltar.

Por que chamar de doença muda o tratamento
Enquanto o excesso de peso é tratado como falha de caráter, o esforço vira ciclo: restrição pesada, perda rápida, exaustão, retorno do peso, culpa. Reconhecer que existe uma doença crônica por trás muda três coisas:
- O horizonte deixa de ser um prazo e passa a ser continuidade, como em qualquer condição crônica.
- A investigação passa a existir, porque doença se diagnostica antes de se tratar.
- A recaída deixa de ser fracasso moral e vira dado clínico, que informa o ajuste do plano.
Segundo o Vigitel, do Ministério da Saúde, mais de seis em cada dez adultos brasileiros têm excesso de peso. Um problema com essa prevalência não se explica por falta de força de vontade individual.
Como o quadro é classificado
O índice de massa corporal é a triagem inicial, calculado pelo peso dividido pela altura ao quadrado:
- 25 a 29,9: sobrepeso.
- 30 a 34,9: obesidade grau 1.
- 35 a 39,9: obesidade grau 2.
- 40 ou mais: obesidade grau 3.
O IMC tem limites conhecidos: não distingue músculo de gordura e não diz onde a gordura está. Por isso a avaliação completa acrescenta circunferência abdominal, composição corporal quando disponível e, principalmente, exames que mostram o que o excesso de peso já produziu no corpo.
O que se investiga antes de tratar
Peso é o sintoma visível. A investigação procura o que está por trás e o que já foi afetado:
- Tireoide, com TSH e T4 livre.
- Metabolismo da glicose, com glicemia de jejum, hemoglobina glicada e insulina.
- Perfil lipídico, para colesterol e triglicerídeos.
- Fígado, com enzimas hepáticas e, quando indicado, ultrassom, porque a esteatose hepática acompanha muitos casos e não dá sintoma.
- Pressão arterial, aferida com método correto.
- Sono, com rastreio de apneia quando há ronco, sonolência diurna ou pausas relatadas.
- Medicações em uso, revisadas uma a uma.
Duas pessoas com o mesmo peso podem ter causas opostas. Tratar as duas igual é o motivo mais comum de o resultado não durar.
A base do tratamento, que nenhum recurso substitui
Antes e durante qualquer outra coisa, quatro pilares sustentam o resultado:
- Alimentação individualizada, construída sobre a rotina real: turno de trabalho, quem cozinha, o que existe na geladeira numa terça-feira comum.
- Atividade física, com ênfase em preservar massa magra. Emagrecer perdendo músculo derruba o gasto de repouso e prepara o terreno para o peso voltar.
- Sono, tratado como parte do tratamento e não como detalhe. Privação de sono altera fome e saciedade por via hormonal.
- Comportamento, incluindo o manejo da fome emocional e o apoio psicológico quando ele é necessário.
Quando o medicamento entra
O medicamento é ferramenta, não atalho, e tem critério. De forma geral, considera-se a prescrição a partir de IMC 30, ou a partir de 27 quando há doença associada, sempre junto das mudanças de estilo de vida.
No Brasil, a Anvisa registra medicamentos com indicação para obesidade, entre eles a sibutramina, o orlistate e os análogos de GLP-1, como a liraglutida e a semaglutida, além da tirzepatida, que age em dois receptores. A escolha depende do perfil clínico, das doenças associadas, dos efeitos adversos esperados, das contraindicações e também do custo, que é parte legítima da decisão.
O que precede toda prescrição: avaliação clínica, exames, explicação dos efeitos esperados e dos possíveis, e retorno marcado. Sobre esse ponto, vale ler o que a consulta avalia antes de receitar.
Quando a cirurgia entra na conversa
A cirurgia bariátrica é indicada em critérios definidos: IMC acima de 40, ou acima de 35 com doença associada relevante, após tratamento clínico bem conduzido. A avaliação é multiprofissional e envolve equipe cirúrgica, e o acompanhamento nutricional e clínico continua por toda a vida depois.
Ela não é fracasso do tratamento clínico nem solução mágica: é uma ferramenta com indicação específica, que funciona melhor quando chega depois de um trabalho bem feito, e não no lugar dele.
O que esperar do ritmo
Uma perda gradual, sustentada por mudanças que cabem na vida, tem mais chance de se manter do que uma queda rápida obtida por restrição extrema. E há um detalhe que quase ninguém comenta: várias melhoras clínicas relevantes aparecem antes de o peso mudar muito, como pressão, glicemia, enzimas hepáticas e qualidade do sono.
Prometer prazo seria desonesto, e a norma de publicidade médica proíbe exatamente isso. O que se pode afirmar é o método: investigar, tratar a causa, acompanhar e ajustar.
Como é o acompanhamento em Itapema
A Dra. Raíssa Campelo é médica (CRM-SC 35554) com atuação em emagrecimento e saúde metabólica, e não possui Registro de Qualificação de Especialista (RQE). O atendimento acontece no Sommus Coworking Itapema Saúde e Bem-Estar, na R. 292, 160, sala 2, na Meia Praia, e também por teleconsulta.
O formato é consulta longa, investigação dirigida, plano individual e retornos combinados, com encaminhamento a nutricionista, psicologia, medicina do sono ou avaliação cirúrgica quando o caso pede. Se você quer ver o desenho completo do acompanhamento, ele está em o que compõe um programa de emagrecimento médico.
O consultório da Dra. Raíssa fica em Itapema, na Meia Praia, com atendimento também por teleconsulta. Tratar obesidade começa por entender por que o peso subiu, e não por decidir quanto ele precisa cair.
Perguntas frequentes
Obesidade é doença?
Sim. A obesidade tem código próprio na Classificação Internacional de Doenças, o E66 na CID-10, e é reconhecida como doença crônica pela Organização Mundial da Saúde e pelo Ministério da Saúde. Isso importa porque doença crônica exige tratamento continuado, e não esforço pontual seguido de abandono.
Como se classifica a obesidade?
Pelo índice de massa corporal, associado a outros dados clínicos. Acima de 25 é sobrepeso, acima de 30 é obesidade grau 1, acima de 35 é grau 2 e acima de 40 é grau 3. O IMC é uma triagem, não um diagnóstico completo: circunferência abdominal, composição corporal e exames refinam a avaliação.
Todo tratamento de obesidade usa medicamento?
Não. A base é sempre a mudança de alimentação, atividade física, sono e comportamento. O medicamento entra quando há indicação clínica, geralmente a partir de IMC 30, ou de 27 com doença associada, e sempre junto do resto, nunca no lugar dele.
Quando a cirurgia é indicada?
Os critérios clínicos consideram IMC acima de 40, ou acima de 35 com doença associada relevante, depois de tentativa de tratamento clínico bem conduzida. A avaliação é multiprofissional e envolve equipe cirúrgica, e o acompanhamento continua por toda a vida depois do procedimento.
Onde é o atendimento em Itapema?
No Sommus Coworking Itapema Saúde e Bem-Estar, na R. 292, 160, sala 2, na Meia Praia, com opção de teleconsulta. O atendimento é particular, individual e com retornos combinados.
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